Quiosque do Mirandinha

Aqui, em primeiríssima segunda mão, os melhores momentos da turma do Mirandinha, publicados desde que a Praia foi aberta à visitação pública. Só fica de olho porque, além de roubar a cena, o Mirandinha ainda rouba na conta. Então, aproveita a retrospectiva. Não precisa segurar o riso. Já a carteira...



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fevereiro 20, 2004

O ULISSES E O PRÊMIO NOBEL

(Publicado em 03/02/04)
O Ulisses, cunhado do Mirandinha, contador aqui da Praia e observador arguto do environment sócio-político, ataca:
-- Ué, mermão. Depois que eu li que tão cogitando aí de dar o Nobel da Paz pro Blair e pro Bush, não vou me espantar nadinha de ver o Nobel de Esconde-esconde ir pro Saddam, o de Gastronomia praquele alemão papa-pinto, o de Pedagogia pro Michael Jackson e o de Fidelidade ser dividido entre a cúpula do PT e a patroa do Mirandinha!
Obtempero:
-- Ué, vai ver o Nobel do Bush e do Blair é merecido: não custa eles terem achado mesmo as armas químicas e só estarem esperando a hora certa pra exibir as brutas.
-- Era o que eu ia dizer, mermão: se eles derem conta de provar que elas existem vão merecer justamente é o Nobel de Química! Não?

Hoje o homem tá impossível. Se exibisse essa presteza de raciocínio na contabilidade aqui da Praia eu não estaria precisando hipotecar o Quiosque, o Blog de Bolso e o Palimpsesto. Enfim.

postado por Nelson Moraes 10:49 AM | Comentários (2)
fevereiro 3, 2004

ULISSES, MIRANDINHA E O INCIDENTE DIPLOMÁTICO

(Publicado em 08/01/04)
Passo pelo quiosque, em plena letargia litorânea, e ouço o Ulisses, contador aqui da Praia, tecendo com o Mirandinha edificantes discussões acerca das últimas novidades do panorama político-internacional. O Ulisses comenta, mostrando o jornal:
-- Pois é, Mirandinha. Por retaliação, os brasileiros tão obrigando os americanos que chegam aqui a tocar piano, no aeroporto.
Eu, ainda absorto com a quebra das ondas nas pedras (ou é a quebra da contabilidade da Praia, no caixa do quiosque; não lembro bem), paro pra apreciar a obtemperação do Mirandinha -- que vem de imediato:
-- Ué, quer dizer que quando escocês pintar no aeroporto aqui vai ter que tocar gaita de fole? Russo vai tocar balalaica? Africano vai tocar djembé? Espanhol vai bater castanhola? Indiano vai tocar cítara? Com esse guéri-guéri todo a pista do aeroporto vai virar é pista de dança!
O Ulisses, espantado menos pela obtusidade do que pela abrangência da cultura geográfico-musical do outro, indaga:
-- Onde você aprendeu isso tudo?
-- Ahá: vi tudo num especial do Discôveri Chênel, ontem, sobre música no mundo! Comigo é assim, chegado: intelecto marombado todo dia. E a patroa ainda suspirou quando viu o tamanho do trombone de vara de um negão lá de Niu Orlíns!

Volto à arrebentação das ondas, deixando os dois em plena jam session cultural no quiosque. E as autoridades diplomáticas perdendo essa.

postado por Nelson Moraes 3:46 PM

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